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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009, 10:17

Sonho realizado após seis anos

Matheus Álvares


“É maravilhoso, esplêndido, incrível, tudo de bom”. As palavras faltam à dona de casa Silvia dos Santos, 33, para descrever a alegria de finalmente ter um teto próprio. Por seis anos, ela e as três filhas Débora Jaqueline, 15, Bárbara Kellen, 11, e Valéria Cristiny, 6, esperaram por uma casa. A família é uma das 17 restantes na invasão do Jardim Itaipu, transferidas, ontem para o Residencial Santa Fé, ambas na região sudoeste da capital. Parte destas famílias fez parte da invasão no Parque Oeste Industrial, em 2005.

O loteamento foi construído para abrigar 481 famílias, todas moradoras de áreas de risco em Goiânia. Até o momento, 252 foram assentadas, todas removidas de locais como Emílio Póvoa, Vilas Monticelli e Coronel Cosme e Jardim das Aroeiras, o antigo “Buracão”. Novos assentamentos devem acontecer até o fim do mês. As casas têm dois quartos, sala e cozinha conjugada, banheiro e área de serviço. Todas são feitas em alvenaria e com telhas de barro. Os lotes têm, no mínimo, 225 metros quadrados.

Além do Residencial Santa Fé, a Prefeitura está construindo outro, na mesma região, batizado Buena Vista. Ambos são destinados a moradores de áreas de invasão. A transferência acontece de acordo com a classificação de risco das casas, dada pela Defesa Civil. Até o momento, todas as 311 famílias cujas moradias eram consideradas de alto risco foram removidas.


Seis anos de espera

Antes de morar no Jardim Itaipu, Silvia vivia de aluguel. O sonho de ter uma casa própria a levou a abandonar o antigo lar e invadir uma área, atitude que muitos considerariam destino. “Só assim seria possível conseguir uma casa própria”, justifica-se.

O sonho custou caro. No Jardim Itaipu ela viveu todo tipo de dificuldade. A casa era feita de lona, o que tornava o ambiente insuportável, fizesse chuva ou sol. “A lona é assim: se quente, esquenta como uma fornalha; se frio, é como um congelador”. Sem água encanada, sistema de esgoto ou qualquer sistema de saneamento básico, a família foi vítima de doenças. Um ano depois da mudança, o marido Francisco Rodrigues Neves, 40, morreu, vítima de pneumonia. Há dois anos, ela também perdeu o filho de 14 anos para uma infecção generalizada.

Viúva, responsável por três filhas (a mais nova nascida na invasão), Silvia confessa que já pensou em desistir. “Já quis voltar a viver de aluguel. Só não o fiz por que tive medo de não dar conta do recado”. A notícia de que receberia a casa sonhada foi, inicialmente, vista com desconfiança. “Quando soube eu nem acreditei. Há cinco anos eu embalo e desembalo minhas coisas por que minha casa nunca saía”.

A casa ainda não tem energia elétrica, que deve ser pedida à Celg. O asfalto só será implantado após a entrega de todas as casas. Silvia, porém, não reclama. Com lágrimas nos olhos, ela abraça as filhas enquanto analisam o novo bem, que oferece conforto incomparavelmente maior que o barracão de lona em que viveram pro seis anos. “Agora tudo dará certo. Espero dar conforto a minhas filhas dentro do que eu puder fazer”.

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