Detran identifica falsificadores de CNH

Quadrilha vinha atuando há tempos e cobrava até R$ 2 mil por carteira falsificada. Falta ainda chegar ao líder do grupo
Galtiery Rodrigues
Em 31/10/2012, 00:57

O Detran/GO deu início, ontem, com a prisão de dois suspeitos, ao que o diretor de Operações, coronel Sebastião Vaz, chamou de desarticulação de uma quadrilha especializada em falsificação de carteiras de motorista. A suspeita surgida há três meses, em razão das constantes apreensões de documentos falsos em blitze da Polícia Militar, foi confirmada com a identificação de José Reis Bispo Sena, de 19 anos, e Rogério Gonçalves Ferreira, 40, prováveis integrantes do grupo que vem agindo em Goiás.

A Gerência de Fiscalização e Segurança do Detran se responsabilizou por desvendar o fato. O gerente, major Márcio Vicente da Silva, acompanhou a investigação durante todo o dia de ontem e aposta na possibilidade de mais envolvidos. José Reis foi o primeiro a ser encontrado e, em seguida, após confessar ter agido no esquema, entregou aquele que seria seu chefe, Rogério Gonçalves, conhecido como Japão.

Com José Reis foram apreendidas cópias de documentos de pelo menos sete pessoas que teriam encomendado CNHs falsas, além de uma carteira já finalizada e pronta para ser entregue, mais R$ 1.884 em dinheiro, três cartões de crédito, um Certificado de Registro Veicular (CRV) adulterado, celulares e outros documentos pessoais. Os dois estariam cobrando até R$ 2 mil por documento.

A investigação começou a se desenrolar na semana passada, com a prisão de um motociclista, parado em blitz da PM, em Goiânia, e com carteira falsa. O tal homem ficou detido no 1° Distrito Policial de terça a sexta-feira, sendo solto após conseguir habeas-corpus. A moto em que estava foi levada para o Detran e, ontem, ele apareceu no Departamento para recuperá-la. Os agentes já esperavam que isso fosse acontecer e alarmaram a vigilância. Assim que chegou ao local, ele foi conduzido à Gerência de Fiscalização para prestar esclarecimentos.

O motociclista informou ao gerente, major Márcio, que tinha adquirido a carteira falsa com um rapaz e informou o celular do mesmo. Com o número em mãos, foi fácil contatar José Reis. Para ele não desconfiar, um soldado pertencente aos quadros do Detran entrou em contato e disse que gostaria de encomendar uma carteira e que já tinha adiantado a cópia dos documentos pessoais e levantado a quantia. Eles marcaram um encontro. Reis é natural de Minaçu e reside em Goiânia.

Segundo major Márcio, o rapaz não resistiu, assumiu que atuava como intermediador, negociando e mantendo contato com os interessados em obter carteira falsa, mas informou que havia uma pessoa acima dele. Foi quando o nome de Rogério surgiu. A pedido dos agentes, o próprio José Reis manteve contato com Japão e agendou encontro na tarde de ontem para tratar sobre “assuntos comerciais”. Fiscais do Detran arrumaram um veículo sem identificação, de vidros escuros e acompanharam tudo. Rogério foi detido em Guapó, na região metropolitana. Em interrogatório, desmentiu que fosse o finalizador das CNHs falsas e disse que havia uma terceira pessoa, a qual está sendo procurada.

A direção do Detran aposta no envolvimento de mais pessoas. Uma lista de nomes já está sendo levantada. O coronel Sebastião Vaz define Rogério Gonçalves como um dos maiores agenciadores de carteiras fraudadas de Goiânia. Ele e José Reis foram encaminhados no final da tarde para o 1°DP, que vai cuidar do inquérito. Provavelmente, eles vão ser acusados de estelionato e falsificação de documentos públicos.

Várias apreensões  foram feitas nas últimas semanas
Major Márcio conta que, nas últimas semanas, estava recorrente a apreensão de documentos falsos. Além do caso do motociclista que chegou a ser detido no 1°DP e ajudou na investigação, outras duas CNHs já haviam sido entregues no 6°DP, na semana passada. A falsificação chamou a atenção dos fiscais pela qualidade e semelhança com os originais. Em vista rápida é difícil perceber as diferenças.

Uma das falsificações, a de um Certificado de Registro Veicular (CRV), foi originada a partir do furto da cédula documental do Ciretran de Rialma, a 185 quilômetros de Goiânia. A ocorrência foi em março. Quem efetuou o furto o fez com a intenção de adulterar a cédula para registrar um Celta como se fosse de Tocantins. Os falsificadores apagaram o “G” de GO, na inscrição que vem no superior do documento por um “T”, ficando ‘Detran TO’. Nesse caso, além do crime de furto, consta a situação de fraude documental e, provavelmente, irregularidade do automóvel que vinha utilizando o CRV.

A situação de furto, informa coronel Sebastião Vaz, é recorrente no Estado. Hoje, 79 cidades goianas recebem cédulas originais, pois possuem unidades autorizadas a emitir documentos, fazer transferências veicular e de CNH. “Este é um problema nacional, mas que vamos fiscalizar até o fim”, afirma Vaz.     


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