Pedágios em BRs goianas podem chegar a 14 pontos

Além de 12 unidades já anunciadas, conselho propôs a governo federal mais dois pontos pela BR-153 e BR-060
Catherine Moraes
Em 09/02/2013, 01:10

Goiás pode ganhar dois novos trechos de pedágios além dos 12 pontos já anunciados no último dia 23 de janeiro. Ontem, o Conselho Nacional de Desestatização (CND) publicou no Diário Oficial da União (DOU) uma resolução que propõe inclusão de seis trechos de rodovias federais no Programa Nacional de Desestatização (PND). Destes, dois passam por Goiás: o primeiro deles é na BR-060, entre o Distrito Federal (BR-251) e Anápolis. O segundo ponto proposto é na BR-153, em um trecho ainda não especificado – entre Paraíso de Tocantins (TO) e a divisa do Estado com Minas Gerais e São Paulo. Com tantos pedágios em rodovias federais que cortam o Estado, a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) analisa a possibilidade de também cobrar pedágios nas rodovias estaduais para evitar a saturação de veículos. 

A previsão inicial do governo federal era a instalação de 12 pontos de pedágio em Goiás, sendo seis na BR-153, entre Goiânia e a divisa com Minas Gerais; quatro na BR-060, entre Goiânia e Brasília, e dois entre Cristalina e a divisa com Minas Gerais. Para estes locais, o valor estimado em cada parada, nos estudos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), pode variar entre R$ 2,90 e R$ 5,30. Apesar disso, a cobrança pode ser diminuída com o leilão da Bovespa, que definirá a concessão de rodovias federais para a iniciativa privada. Marcado para o último dia 30 de janeiro, o leilão foi adiado e a nova data deve ser divulgada em breve.

Para o professor de dança e mestrando em artes pela Universidade de Brasília (UNB) Renato Rodrigues, de 24 anos, a notícia é preocupante. Morador de Goiânia, ele é estudante na capital federal e vai a Brasília todo domingo, com retorno na terça-feira. As maneiras de viajar e tentar gastar pouco são várias: carona, carro e ônibus, inclusive clandestinos, informa. Em um grupo do Facebook intitulado “Eu vou para GYN/BSB de carona”, ele fez amigos e arranjou formas de dividir a despesa. “É ruim saber que pagaremos um valor a mais porque tem muita gente que fica nesse eixo Goiânia-Brasília, duas vezes por semana ou mais. Vai encarecer nossa despesa, que já não é baixa”, completa. Se todos os pedágios forem aprovados pela Presidência, o trecho terá cinco paradas remuneradas pelas rodovias federais.

No Brasil

Além das BRs goianas, outros quatro trechos foram apresentados ontem para pedágios pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND): BR-163 (MT), no trecho entre Nova Mutum (MT) até a entrada da BR-070 (MT); a BR-262 (ES/MG), no trecho entre a BR-101 (ES) até a BR-116 (MG); o trecho da BR-262 (MG), entre a entrada da BR-050 (MG) em Uberaba até a entrada da BR-153 (para Pouso Alto); e a BR-262 (MS), entre o trecho da entrada da BR-163 (MS) em Campo Grande até a divisa de Mato Grosso do Sul e São Paulo.

GOs também devem iniciar cobranças

Diante dos estudos do governo federal de instalar pedágios em BRs que cortam Goiás, a Agetop informou que também está realizando estudos para analisar a possibilidade da cobrança de pedágios nos trechos estaduais. “Isto por que as GOs certamente se tornarão uma rota de fuga do pedágio, o que pode prejudicar consideravelmente as condições das rodovias goianas”, informou a assessoria do órgão.

Em relação ao preço da passagem de ônibus comerciais que podem passar pelos pedágios, a Agência Goiana de Regulação, Fiscalização e Serviços (AGR) informou que nada foi discutido ainda e que não é certo se empresas de ônibus deverão pagar pelos pedágios ou se o valor será retornado ao consumidor. “Geralmente os ônibus não pagam, mas essa ainda é uma longa discussão”, afirmou a assessoria do órgão.

Pagamento em 2015

A previsão é de que as tarifas devem ser cobradas a partir de 2015. Em cinco anos após a concessão, algo em torno de 7,5 mil quilômetros deverão ser duplicados no Brasil. Quem vencer os leilões deverá ainda trabalhar com retornos, manutenção das pistas, recuperação, implantação de passarelas e sinalização.

Mudanças na licitação

Na terça-feira (5), o governo federal anunciou mudanças no modelo de licitações das rodovias, com o intuito de atrair mais investidores. Entre as alterações estão o aumento do prazo de financiamentos e da concessão, a melhora da taxa de retorno financeiro das rodovias e o maior prazo de carência para início do pagamento de empréstimo.

Audiência

No dia 22 de janeiro, a ANTT realizou em Goiânia uma audiência pública que, assim como no resto do País, discutiu a concessão das rodovias à iniciativa privada. Levantamentos da agência apresentados na ocasião apontaram para 2,41 mil quilômetros de estradas que cortam o Goiás, Distrito Federal, Tocantins e Minas Gerais e serão afetadas pelos pedágios. No total, 31% das BRs estão duplicadas.


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